Ansião modernizou o centro de vila e devolve-o às pessoas

O presidente da Câmara de Ansião promete um «dia histórico e simbólico» para amanhã, sábado, ao inaugurar a nova Praça do Município, no âmbito das obras de regeneração urbana em curso na vila. A filosofia do projeto sempre foi o de «devolver espaço público às pessoas», diz Rui Rocha.

A regeneração urbana da vila de Ansião teve início em 2003, mas ficou na gaveta a aguardar por uma fonte de financiamento, o que só aconteceu através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). O autarca refere que no global foram investidos dois milhões de euros na modernização da vila, com «apenas cerca de 300 mil euros do orçamento municipal».

«Ninguém ousaria não aproveitar esta oportunidade», refere Rui Alexandre Rocha, salientando que todo o projeto envolveu diretamente a população, nomeadamente moradores e comerciantes das áreas intervencionadas.

À medida que as obras iam tendo início, os munícipes eram chamados para se pronunciarem sobre o projeto. O que permitiu fazer algumas alterações, correspondendo às sugestões e opiniões dos moradores e comerciantes.

Por outro lado, uma plataforma na Internet – Centro Vivo – permitiu, também, divulgar o ponto de situação dos trabalhos para além de recolher sugestões e opiniões.

«Quem está na presidência de uma Câmara não tem propriedade sobre nada» pelo que «é importante que as pessoas também se envolvam» sendo «um grande espírito de cidadania», refere Rui Rocha.

Uma das maiores preocupações dos munícipes dizia respeito ao estacionamento automóvel no centro da vila. Contudo, Rui Rocha refere que «existem agora mais lugares do que anteriormente», já que foi construído, em 2010, um parque de estacionamento com 75 lugares, e já em 2011 uma outra bolsa na Rua de Erbach, tendo sido, ainda, mantidos cerca de 40 lugares nas ruas requalificadas.

MARCO HISTÓRICO

Rui Rocha não tem dúvidas que amanhã acontecerá um «marco histórico» em Ansião, com a inauguração do espaço regenerado. Até porque «há muitos anos que não existiam obras desta dimensão na sede do concelho», diz.

O momento contará com a presença do ministro-adjunto dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e do secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio. Rui Rocha realça a presença dos governantes que tutelam as autarquias. «É importante que os governantes visitem in loco o trabalho que as autarquias fazem», diz.

Por outro lado, para aquele momento inaugural a autarquia lançou um desafio às coletividades do concelho, que de imediato responderam afirmativamente ao apelo.

Num espetáculo coordenado por Luís de Matos, também ele oriundo do concelho, estarão envolvidos mais de duas centenas de agentes culturais, representativos das duas filarmónicas e dos oito ranchos folclóricos.

«Como se trata de um espaço para as pessoas pretendemos envolver as pessoas», diz, acrescentando que «vamos viver um momento ímpar no concelho».

Por outro lado, o presidente da Câmara sublinha a importância daquela iniciativa, para o conhecimento, aproveitamento e valorização dos recursos locais.

Rui Rocha aproveita para agradecer e reconhecer às coletividades que, de imediato responderam ao desafio, disponibilizando-se para «sair da sua área de conforto e apresentar-se num espaço público» como é a Praça do Município.

«Misturando criatividade com talento, disponibilidade com criatividade e arrojo com partilha, apresentar-se-ão, num momento efémero mas histórico, centenas de pessoas, compondo um quadro que promete entrar para a história local, celebrar o momento e, acima de tudo, unir ainda mais o concelho», refere a autarquia.

Para Rui Rocha, a nova Praça do Município «pretende ser, não só o cartão de visita da vila, mas também de todo o concelho, já que «estará disponível para ser utilizada por todo o concelho e não só pela vila».

Para além daquele momento cultural, o espaço acolherá a tradicional Feira dos Pinhões, que regressa à praça cerca de trinta anos depois. Em paralelo, decorrerá uma mostra de artesanato e produtos endógenos.

Um evento que pretende ser um pretexto para o encontro entre as pessoas da vila, do concelho ou de onde quer que se desloquem para visitar Ansião. Aliás, local de encontro e um espaço para as pessoas são as expressões mais indicadas para definir a nova Praça do Município. Um espaço mais amplo e preparado para acolher diversos tipos de eventos, num ambiente urbano e moderno.

UMA VISÃO PARA O CENTRO URBANO

A Regeneração Urbana do Centro da Vila de Ansião foi uma aposta na qualidade de vida e na população local. Este importante programa de valorização do concelho teve como elementos visíveis a intervenção no espaço público e a promoção de mais um “espaço” de participação e diálogo.

Renovar o Centro e mantê-lo como espaço de encontro, repleto de atividades (comércio, serviços, habitação, equipamentos) foi o desafio que esteve à frente de todos aqueles que se envolveram no projeto.

O Centro Urbano de Ansião foi caracterizado como sendo um núcleo da dinâmica económica do concelho. Valorizar os espaços de usufruto coletivo e os elementos de identidade, reforçando o papel do centro urbano como prestador de serviços polarizador das dinâmicas económicas e capaz de atrair e reter residentes.

Foi esta a visão proposta para a Regeneração Urbana do Centro da Vila de Ansião, a qual afirmou a vocação inequívoca de acolhimento de investimento do Município e da Vila. Esta vocação foi ancorada em princípios de sustentabilidade, onde se integra o domínio ambiental, sociocultural e económico, permitindo assim a valorização global de uma Vila e de um concelho rico em mais-valias competitivas.

O Centro da Vila de Ansião sendo constituído pela zona histórica afigurou-se como um espaço determinante de oportunidade para a vivência da Vila e para a sua regeneração, com todas as referências históricas que ainda hoje são visíveis (Padrão Seiscentista, Pelourinho, Antigo Cadeia e Paços do Concelho). Para além dos elementos patrimoniais, a área de intervenção beneficiou da proximidade ao Rio Nabão, um espaço recentemente intervencionado e que se tornou numa referência como zona de lazer e recreio da Vila.

Orlando Cardoso | Diário de Coimbra

Um comentário a “Ansião modernizou o centro de vila e devolve-o às pessoas

  1. “Valorizar os espaços de usufruto coletivo e os elementos de identidade”
    Como se pode valorizar os elementos de identidade ao colocar granito, um elemento de não identidade?! A Vila de Ansião, como está, não é nem nunca será verdadeiramente um cartão de visita do concelho, já que afinal a sua identidade não corresponde à identidade concelhia.
    Durante mais de 30 anos identifiquei-me com a “minha” Vila, mas agora já não posso dizer o mesmo…

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