Marégrafo com 300 quilos e seis metros reposto à mão nos penedos de Buarcos
14/06/2010 1 Comentário
O marégrafo de Buarcos, Figueira da Foz, destruído pelos temporais do último inverno, foi hoje reposto nos penedos da praia, a cem metros da costa, numa operação delicada promovida pela junta de freguesia local.
O novo marégrafo, um instrumento que serve para medir a altura da maré, tem mais de seis metros de altura e cerca de 300 quilos de peso e foi transportado até ao destino na maré baixa, com o auxilio de uma jangada rudimentar, dois bidões encimados por uma tábua.
“Foi complicado dado que a peça é extremamente pesada e é muito difícil aproximar embarcações do penedo já que os fundos são muito baixos”, disse à agência Lusa Ferreira Gordo, responsável do Centro de Formação Náutica e de Recreio, responsável pela construção do marégrafo.
“Tivemos de improvisar um pouco, foi uma operação à africana com dois bidões e uma tábua. Criamos-lhe poder de flutuação e levámo-la até lá”, explicou.
A improvisada jangada “navegou” segura por dois homens, um de cada lado e, para além da peça metálica, serviu também para fazer chegar ao penedo as ferramentas, areia e cimento necessárias à colocação do marégrafo.
Outra dificuldade experimentada pelo grupo de 12 voluntários – liderados pelo presidente da junta de freguesia de Buarcos – foi a de levantar a peça metálica, o que acabou por suceder, ao final da manhã, depois de várias tentativas.
“Sem meios mecânicos levantar 300 quilos é extremamente difícil. Essa fase foi ultrapassada, de qualquer modo atrasou um pouco a operação seguinte que era chumbar a peça no penedo”, sublinhou Ferreira Gordo.
O exemplar anterior – elaborado a partir de carris de caminho de ferro e denominado pelos pescadores “pau de maré” – resistiu mais de 100 anos às adversidades climatéricas e à força do mar mas acabou por desaparecer, nos temporais do último inverno.
Considerado um autêntico símbolo da vila piscatória – onde também é conhecido por medroa, nome retirado do penedo que o sustenta – há meio século o marégrafo não servia só para medir a altura da maré, mas também para distinguir entre bons e maus nadadores.
“Quando a praia era mais curta [e a distância ao marégrafo maior] só sabia nadar quem conseguia ir lá e voltar. Os que lá ficavam tinham de os ir buscar de barco”, recorda, com um sorriso, o autarca José Esteves.
Aquando do desaparecimento do exemplar original, a junta de freguesia promoveu “de imediato” a recolocação da peça “numa homenagem à nossa população marítima e a mais de 100 anos [de marégrafo]”, frisou.
“Isso é que nos deu força para que repuséssemos a medroa no seu devido sítio”, adiantou José Esteves.
Terça-feira, ao início da manhã, o grupo de voluntários regressa à praia de Buarcos para concluir a operação, através da colocação de duas vigas de suporte e do reforço da peça metálica, esperando que o mar e o vento deem tréguas ao novo marégrafo.
“Gostaríamos que estivesse lá mas é um bocado duvidoso porque o mar tem muita força. Façamos um voto de fé”, disse o autarca.


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