Vereador acusa PS de ter tentado fazer “trafulhice” na Assembleia Municipal

O vice-presidente da Câmara de Pombal acusou ontem o Partido Socialista de ter tentado substituir, de forma ilegal, um membro na última sessão da Assembleia Municipal. «O que os senhores tentaram fazer é do calibre de uma trafulhice», disse Diogo Mateus, no final da reunião camarária realizada ontem.

O caso remonta ao início dos trabalhos da última sessão da assembleia, presidida por José Grilo. Perante a falta de João André Coelho, por motivos de doença, a bancada do PS requereu que aquele fosse substituído por Pedro Serra Santos, que já se encontrava sentado no lugar tendo inclusivamente votado na aprovação da acta da sessão anterior. A pretensão viria a ser chumbada pela maioria PSD por contrariar o respectivo regimento.

Para Diogo Mateus, tratou-se de um «lamentável» caso de «atropelo à lei» pelo que « Município não deve deixar passar em branco este tipo de comportamento». «É uma vergonha que deputados municipais peçam a suspensão de mandato de outra pessoa», disse o vereador, alegando ser «uma violação dos deveres dos autarcas e da própria democracia».

No entender do social-democrata, aquela atitude foi «uma tentativa de pôr em causa o presidente da mesa da Assembleia Municipal», acrescentando que «não foi uma distracção, mas sim intencional».

A discussão viria a aquecer com Carlos Lopes a considerar que Diogo Mateus deveria, isso sim, estar «preocupado» com a «inabilidade» do presidente da Assembleia. Segundo o vereador socialista, José Grilo é que «devia ter aferido se de facto a presença de Pedro Santos era legal» bem como da «legalidade do requerimento».

Sempre com Diogo Mateus como pano de fundo e exaltado, Carlos Lopes lá foi dizendo que o comportamento do presidente da mesa «não tem sido digno» e que o mesmo «devia conhecer a lei e fazê-la aplicar».

Tendo o vice-presidente da autarquia questionado se «quem assina o requerimento não sabe que é ilegal». «Eu quero ver o que é que o senhor faria se eu apresentasse aqui um requerimento para o pôr daqui para fora», disse Diogo Mateus para Carlos Lopes.

Também Michael Mota António criticou a atitude dos socialistas, dizendo que «todo aquele esquema veio bem preparado». «Tentaram requerer uma coisa ilegal para ver se pegava», disse o autarca social-democrata.

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal, que acabou por pôr um «ponto final, parágrafo» à discussão, saiu em defesa de José Grilo. «Tentaram crucificar um homem que é médico, é chefe de serviço de neurologia e que não tem grande experiência política», disse, criticando as intervenções de alguns deputados socialistas na Assembleia Municipal da passada semana.

Orlando Cardoso | Diário de Coimbra | Diário de Leiria

 

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