Presidente da Câmara de Pombal suspende salário a funcionário dirigente sindical

O presidente da Câmara de Pombal anunciou na segunda-feira a decisão de suspender o pagamento do salário a um funcionário por este “não ter trabalhado um único dia para a autarquia nos últimos oito anos”.

Narciso Mota alega, em comunicado, que foram pagos desde 2003 mais de 94.000 euros ao trabalhador, além do montante relativo à comparticipação para a Caixa Geral de Aposentações, “sem que tivesse sido realizada qualquer contraprestação laboral”.

O funcionário da autarquia, Ângelo Monforte, é dirigente nacional e coordenador no distrito de Leiria do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP).

“Os outros membros da direção, que exercem funções noutros organismos, não utilizam os quatro dias a que têm direito para a sua atividade sindical e a lei permite que eu utilize esses créditos”, explicou o funcionário Ângelo Monforte à agência Lusa.

Para o presidente da Câmara de Pombal, esse é o problema: “O sindicato tem invocado a utilização de créditos de trabalhadores pertencentes a outras entidades da administração pública para solicitar a dispensa do trabalhador Ângelo Monforte, todos os meses e de forma permanente desde o ano 2003”, pode ler-se no comunicado assinado por Narciso Mota.

Como resultado, “tem sido o município a suportar todos os créditos de trabalhadores dessas entidades, pagando o vencimento do trabalhador, por inteiro”, sem que este “tenha trabalhado um único dia ao serviço do município de Pombal nos últimos oito anos”, explicou o autarca.

Desde setembro de 2009, que a câmara de Pombal tem enviado ofícios ao sindicato para tentar “cobrar” o valor correspondente aos dias em que o trabalhador “exerceu atividade sindical além dos dias a que, por lei, tem direito”.

“Não tendo obtido qualquer resultado com essas diligências e perante esta situação, que se tornou insustentável, informo que dei instruções aos serviços para suspender o pagamento do salário do referido trabalhador, com efeitos imediatos”, anunciou o autarca.

A decisão, “um imperativo de justiça social”, sai reforçada, justifica o presidente da Câmara de Pombal, “pela situação económica que se vive a nível nacional” e pela “responsabilidade inerente à necessidade de se trabalhar cada vez mais e melhor”.

Ângelo Monforte lamenta que a situação tenha sido tornada pública pelo presidente da autarquia, estranha a forma como se desenrolou todo este processo e defende que a Câmara não pode suspender o seu salário.

“Não consigo compreender como é que o meu nome é colocado na praça pública desta maneira”, lamenta, sublinhando que “não houve qualquer processo disciplinar, nem o caso foi discutido em reunião de Câmara, ou alvo de qualquer decisão em tribunal”.

O sindicalista confirma ter recebido uma carta registada na qual a autarquia comunicava a decisão de suspender o pagamento do seu salário a partir de agosto, inclusive, e admite que ainda não sabe como irá reagir.

Ângelo Monforte, deixa, contudo, uma certeza: “face ao que se passou, se souber que tenho direito a uma indemnização, avanço sem pensar duas vezes”.

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4 Responses to Presidente da Câmara de Pombal suspende salário a funcionário dirigente sindical

  1. Rui says:

    Sr. Ângelo. Contribui e de que maneira para a desgraça do País- Sr. Presiodente da Câmara! O Sr é que deveria ficar 8 anos sem vencimento , por permitir uma coisa destas. Este País é um regabofe…. Alguma coisa tem de mudar!!1 E urgentemente!!! Sindicatos. O que é que esta gente anda a fazer??? Nada!!! Continuem a descontar seus otários….

  2. António says:

    Rico sindicalista, defende os direitos dos trabalhador (ele), tanto os presidentes que passaram pela câmara municipal, como os funcionários colegas, como a própria pessoa são culpados, uns porque são coniventes, ou desleixados, os outros, porque mesmo não sendo coniventes com a situação calaram-se. Por isso, isto está como está, trabalham só 36 horas por semana (não descontando o tempo que estão à conversa, a beber o café ou a fazer nada), recebem certinho e direitinho. Têm “pontes”, quando são a classe trabalhadora que menos produz, e menos rende, o privado tem de descontar dias das férias se o patrão deixar. Do lado do sindicat, nem vou falar, conheço bem um grande sindicato bancário, e é um regabofe. Na Europa com maneirismos 3º mundialistas. Temos o que merecemos.

  3. José Guardado says:

    Qualquer dia, o nosso PC descobre que há muita gente que nem se dá por falta dela, como parece que aconteceu com o Ângelo Monforte durante estes anos todos. Podíamos começar pelo vereador que dormiu a manhã de muitas segundas-feiras na casa de um amigo na praia (que eu e outros vimos da minha varanda), passando por um eng.º admitido depois de ter sido afastado num concurso de estágio para professores por forjar documentos com tempo de serviço que não tinha (papéis que me passaram pelas mãos) e acabar no lugar de vereador do deputado Pedro Pimpão (PP) que afinal era dispensável, extinção que, aliás, a oposição sempre defendeu. Resumindo: 1. não se notava a falta do vereador às segundas, 2. não interessa o passado /CV real do eng.º candidato, 3. só depois de PP sair é que se percebeu que não fazia falta – ou que os outros vereadores tinham trabalho a menos. Sr. Eng.º se quiser saber mais coisas que muita gente sabe (e que penso que o sr. não sabe, porque se souber é grave!), basta ler os desabafos de quem escreve nestas colunas e levá-los a sério, respeitá-los e corrigi-los. Isso sim, seria dum democrata, que o sr. diz ser…

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