“Pombal não perdeu os vícios das aldeias”

farpasO antigo jornalista Alfredo Faustino considera que a imprensa local é “um pouco resultado” do facto de Pombal “não possuir massa crítica capaz de gerar a mudança, de sustentar projectos ambiciosos, sejam eles culturais, sociais ou empresariais”.

O ex-adjunto do governador civil de Leiria, que falava, sexta-feira à noite, num debate sobre imprensa local organizado pelo blogue Farpas Pombalinas, afirma que “Pombal não passa de uma aldeia com pretensões a grande cidade”. “Com o desenvolvimento verificado nas décadas de 60, 70 e 80, passando de vila a cidade, perdeu as qualidades dos pequenos povoados e não conquistou as dos grandes centros; em contrapartida, não perdeu os vícios das aldeias e acrescentou-lhes os das cidades”, frisa.

A iniciativa surgiu depois do encerramento do único jornal semanário que vinha a ser publicado no concelho, e num momento em que se perspectiva o lançamento de um novo título pelo mesmo proprietário bem como o regresso às bancas de um outro, encerrado há alguns anos, quando era detido pelo grupo Lena.

“Pode surgir alguém que mostre interesse no lançamento de um jornal”, diz Alfredo Faustino, acrescentando, no entanto, “por norma, alguém com parcos conhecimentos do sector, julgando que lançar e fazer um jornal é o mesmo que comercializar um qualquer outro produto”.

Na opinião daquele antigo jornalista, “faltam projectos com um mínimo de rigor e profissionalismo, feitos por quem perceba da poda, com garantia de um mínimo de independência”.

Quanto ao tema do debate “imprensa de Pombal – morreu ou mataram”, Faustino diz estar “dividido quanto a apontar uma causa concreta”. “Na minha opinião, os jornais de Pombal acabaram pelas duas razões, embora seja forçado a admitir que o último título ‘morreu por si’, por culpas próprias”, frisa.

O ex-jornalista refere não ter “grandes dúvidas” que foi o jornal – O Correio de Pombal – “que morreu”. “Isto é: morreu por causas próprias e não por razões terceiras, normalmente tidas como pressões, sejam do poder político ou económico”, realça.

Na sua intervenção, Alfredo Faustino deixou um conselho aos “possíveis interessados em ressuscitar um jornal” em Pombal: “juntem um grupo de pessoas disposto a perder dinheiro, arranjem pelo menos alguém ligado aos jornais mas com algum traquejo, um ou outro jovem que queira ‘aprender’ a ser jornalista e, pesados todos os contras (que são muitos) avancem com um projecto devidamente estruturado, com os pés assentes no chão”, deixando “os idealismos de parte”.

Já a jornalista free-lancer Paula Sofia Luz considerou que quanto à imprensa de Pombal, “só me ocorre dizer que obviamente, mataram-na”.

A ex-directora de O Eco de Pombal, refere que a “morte” dos jornais locais “não resulta apenas dos erros de gestão nem da sucessiva desprofissionalização do corpo redactorial, comercial e administrativo”. “Resulta também de um ADN próprio de Pombal, em que o poder político lida mal, muito mal, com a crítica, o tecido económico desvaloriza a importância dos media, os serviços raramente pagam assinaturas e os leitores, numa larga escala, optam por ler o jornal à mesa do café, sem o comprarem”.

 

Anúncios

Sobre factualidades
Noticias sobre temas e factos da actualidade

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: