Assembleia Municipal de Pombal quer seguir fusão de freguesias

Assemb Mun PombalA Assembleia Municipal de Pombal “não permitirá que o novo modelo” de reorganização administrativa do concelho “comprometa as características, transferências financeiras e importância social de todas as colectividades locais” e garante que “acompanhará dedicadamente a evolução política e jurídica do processo”, de acordo com uma moção aprovada por maioria na sexta-feira.

O documento apresentado por João Coucelo, líder da bancada do Partido Social Democrata (PSD), manifesta o seu “forte empenho na construção da paz social, na preservação da identidade local, nas especificidades de cada território, na manutenção dos serviços de proximidade e no respeito pelos interesses das populações e das decisões de todos os órgãos legítima e democraticamente eleitos”.

Os deputados municipais reiteram a “enorme importância de que se reveste o papel” dos presidentes de Junta de Freguesia enquanto “garantes da representação popular de maior proximidade, responsáveis pela articulação com as demais entidades locais e primeiros promotores do desenvolvimento das freguesias”.

Na mesma moção, a Assembleia Municipal solidariza-se com as deliberações das Assembleias de Freguesia realizadas após o conhecimento público das propostas da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território, “aceitando-as como posições assumidas de forma livre, consciência, participada, democrática e legítima na defesa das respectivas populações”.

O assunto da reorganização das freguesias ocupou uma grande parte dos trabalhos dos autarcas, com a bancada da oposição (Partido Socialista) a apresentar uma segunda moção e que ia no sentido da Assembleia Municipal requerer ao Presidente da República que não promulgue o diploma da agregação de freguesias. Um documento que viria a ser rejeitado pela maioria social-democrata.

Os socialistas, pela voz de Odete Alves, consideram que a agregação das freguesias foi aprovada pela maioria PSD/CDS-PP, nos termos propostos pela Unidade Técnica, “desprezando as deliberações dos órgãos autárquicos e consequentemente a vontade das populações e da maioria dos presidentes de Junta”. Argumentam, ainda, que aquela reorganização administrativa “não reduz a despesa pública, pelo contrário, já que vem criar novos cargos políticos, como é o caso dos dois novos presidentes de junta do nosso concelho e das comunidades intermunicipais, feitas às medidas para garantir os jobs for the boys”.

Recorde-se que a Unidade Técnica propôs a agregação das freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca, na zona Oeste do concelho, e a Sul a das de São Simão de Litém, Santiago de Litém e Albergaria dos Doze.

Para o presidente da Junta da Ilha, o “processo foi superiormente mal conduzido a nível local” considerando que “alguns responsáveis exibiram atitudes e tiveram comportamento que devemos, de facto reconhecer e louvar” mas “a verdade é que outros, e com mais responsabilidades, não estiveram à altura que as suas posições lhes exigiriam”. “Assistimos também a linchamentos políticos”, disse Carlos Domingues, eleito pelo PSD, referindo que “o que se passou foi um verdadeiro horror, uma mancha numa política séria e honesta feita a pensar nas pessoas”.

Afirmando tratar-se de uma “tristeza e injustiça” ver a sua freguesia a ser agregada à da Guia ao contrário de outras que “ficaram intocáveis”. “Agora é tempo de olhar para a frente, e exigimos muito respeito para com a população da Ilha”, disse.

Também António Fernandes, presidente da Junta de Mata Mourisca, levantou a sua voz contra a extinção da sua freguesia, referindo que “ainda há tempo para justificar às pessoas que não foram humilhadas”. Antes disse que o processo foi um “fogo que incendiou o concelho” e do qual “me queimaram até reduzir a cinzas” enquanto a outros “nada aconteceu porque tinham um batalhão de bombeiros a protege-los”.

Para Pedro Brilhante (PSD), a revolta que hoje existe nas populações “foi única e exclusivamente provocada, incentivada e levada a cabo por políticos mal intencionados” assim como por “outros menos informados” mas, sobretudo, “por aqueles que querem a todo o custo tirar desta situação proveito próprio”.

Já o autarca da Guia, Manuel António Santos, lamentou que o PS tenha votado contra a moção do PSD, e pediu para que “não façam nenhuma gincana política porque isto já é muito difí­cil”, esperando que o próximo executivo camarário “olhe para estas freguesias de forma diferente”.

Anúncios

Sobre factualidades
Noticias sobre temas e factos da actualidade

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: