Grupo Protecção Sicó quer fiscalização urgente das obras no Cardal para salvaguardar património

platanos CardalO Grupo Protecção Sicó (GPS) pediu a intervenção “urgente” da Direcção Regional de Cultura do Centro na fiscalização das obras de regeneração urbana a decorrerem no Largo do Cardal, frente aos Paços do Concelho de Pombal. O objectivo passa por salvaguardar um “património cultural quiçá com importância nacional ou até supra nacional”, diz.

Segundo Hugo Neves, vice-presidente do GPS, na carta enviada no final de Fevereiro, é solicitada uma “intervenção por parte da Direcção Regional de Cultura do Centro a realizar-se através de arqueólogos e antropólogos numa fiscalização in loco tendente a uma avaliação real” do património cultural existente no local. E assim, “se tomem de imediato as medidas tendentes à não mobilização de solos com a realização de uma verdadeira escavação arqueológica prévia”.

As obras de regeneração urbana em causa estão a decorrer desde há um mês no Largo do Cardal, em pleno centro da cidade, frente ao Convento do Cardal e edifício dos Paços do Concelho.

De acordo com relatos históricos citados pelo GPS, no local poderão estar localizados vários patrimónios culturais históricos, nomeadamente relacionados com a tradição das seculares festas do Bodo. É o caso da antiga Capela de Nossa Senhora de Jerusalém, antigo forno comunitário e o antigo cemitério.

Baseando-se na bibliografia existente, Hugo Neves recorda do surgimento de “vestígios osteológicos humanos” no mesmo local aquando da construção do Jardim Dr. Paiva (agora destruído) em 1993. “Logo se entende que deverá ainda haver mais informação produzida a este específico respeito que deverá constar de relatórios técnicos arqueológicos”, diz.

Aquele dirigente considera que, com a realização das obras em curso, se poderia reconstruir o antigo forno comunitário, relacionado com a tradição das festas do Bodo, e de acordo com instruções da Direcção Regional de Cultura “perpetuar tal cerimónia”. “O que certamente, bem organizado, será um complemento atractivo cultural para a vinda de pessoas que contribuirão para o comércio local e para o desenvolvimento económico da região retomando-se assim uma tradição muito interessante”, refere.

Por outro lado, prossegue Hugo Neves, “na eventualidade de a necrópole do Cardal se manifestar durante as escavações arqueológicas, o que é por mais evidente que possa acontecer, alerta-se ainda para a necessidade de respectivo acompanhamento técnico”.

O vice-presidente do GPS sublinha a “importância de que tais estudos poderão vir a revelar” até para a existência da “via romana nas proximidades o que poderia atravessar inclusivamente o actual Largo do Cardal”.

“Estamos perante uma oportunidade única para revelar o património cultural ali existente” afirma Hugo Neves, salientando, ainda, “a utilização destes percursos nesses tempos por cavaleiros cruzados, inclusive a importância do período temporal contemporâneo para a História de Portugal ser a da conquista a Sul do rio Mondego, o que revelará da existência dos Templários em toda esta região, e tudo o mais que poderá a vir ser revelado”.

O director do GPS solicita, ainda, à Directora Regional de Cultura do Centro informação sobre as “condicionantes existentes” ao projecto de obras para aquela área, bem como “se foi designada a previsão de arqueólogo e antropólogo para o acompanhamento da dita obra”.

Autor de monografia contesta obras

O historiador Joaquim Eusébio, autor da monografia “Pombal: Oito Séculos de História”, editada pela Câmara de Pombal, é uma das vozes críticas às obras que decorrem no Largo do Cardal.

Na sua página no Facebook, Joaquim Eusébio considera “lamentável a todos os títulos” e “estranha a insensibilidade da população de uma cidade multisecular que deixar fazer esta operação a coração aberto”.

“Mas para mim o mais inquietante é a grande possibilidade de uma vez mais nada de arqueologicamente significativo se encontrar durante os trabalhos”, refere, dado o exemplo do que ocorreu “nos trabalhos feitos nas imediações da igreja de Santa Maria do Castelo, no interior das muralhas do castelo (que teriam podido fornecer muita informação sobre o período medieval de Pombal) ou na praça Marquês de Pombal (coração da vila durante a Idade Moderna)”. “Será que o cemitério do convento de Santo António do Cardal, o forno do Bodo ou a capela de Nossa Senhora de Jerusalém não terão igualmente deixado qualquer vestígio?”, questiona.

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