Rita Mendes exporta “Bagas da Feteira” para o mundo

Bagas FeteiraUma jovem da freguesia de Santiago da Guarda (Ansião) trocou o negócio familiar do sector avícola pela agricultura e tem levado o nome da “Bagas da Feteira” ao mundo através de pequenos frutos, doces e compotas.

Nascida na aldeia e rodeada de galinhas e ovos, Rita Mendes, de 27 anos de idade, desde cedo se percebeu que a sua vocação passava pelo contacto com a terra. Formou-se em Engenharia Agropecuária mas a crise no sector avícola, ao qual a sua família sempre se dedicou, empurrou-a para novas alternativas de negócio. “Sem trabalho mas com terrenos livres e máquinas agrícolas ao meu dispor, decidi aproveitar a oportunidade e elaborar um projecto de instalação de Jovem Agricultor em 2010”, refere.

O projecto passava pela produção de pequenos frutos, através da cultura do mirtilo, da groselha vermelha e da framboesa. Uma área pouco trabalhada e que fez com que ali investisse 120.500 euros, dos quais beneficiou de 38.200 euros de fundos comunitários e 12.700 euros de fundos nacionais, através do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER).

Nascia assim o negócio “Bagas da Feteira”, com uma plantação de seis mil pés de framboesa. No entanto, como aquelas quantidades iniciais eram residuais e não compensavam o transporte para exportação, Rita Mendes decidiu complementar o negócio com a produção de doces e compotas. O que lhe permitiu estabelecer uma parceria com a empresa de uma outra jovem ansianense “Amor de Biscoito”, conseguindo colocar os seus produtos nas lojas gourmet do El Corte Inglés.

Por outro lado, acabaria por avançar com a plantação de 1500 mirtilos e cerca de 5000 pés de groselha vermelha, cuja primeira colheita deverá acontecer em breve. Uma tarefa para a qual Rita Mendes prevê recorrer a cerca de três dezenas de trabalhadores ocasionais. Já no trabalho diário é a própria empreendedora que arregaça as mangas com a ajuda de alguns familiares. Só recentemente recrutou o seu primeiro colaborador, ao abrigo do programa Impulso Jovem, não afastando a hipótese de alargar o quadro de pessoal.

Face à próxima colheita, Rita Mendes diz estar “expectante e ao mesmo tempo entusiasmada”. Espera exportar 90 por cento da produção, reservando o restante para a confecção dos doces e compotas. Transformando a cozinha num laboratório, onde são conjugados os sabores e os aromas dos frutos com outros, como é o caso da canela, da baunilha ou do limão, entre outros.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Rita Mendes depara-se com as dificuldades comuns a todos à grande maioria dos empreendedores. “A demora do retorno do investimento e a elevada quantidade de gastos em burocracias é um problema” mas “a satisfação em ver as plantas a crescer e os frutos a surgirem faz-me sentir realizada e orgulhosa do trabalho conseguido”, afirma.

Até porque o retorno das pessoas que a têm contactado nas várias feiras e exposições tem-lhe dado esperança. “As pessoas experimentam e gostam e isso é a melhor recompensa que podemos ter”, frisa.

A jovem ansianense não tem dúvidas que “a agricultura pode oferecer uma grande oportunidade aos jovens”, mas para isso “ainda é necessário mudar muitas mentalidades”.

Por outro lado, refere que “o conhecimento das culturas é fundamental, mas todos os dias me deparo com situações novas, a que é necessário dar resposta”, refere, adiantando que “o processo é mais complicado do que se possa pensar”.

 

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