Pombal alvo de “revolução urbanística” apresenta-se requalificado e moderno

Regeneração Urbana - Largo CardalA cidade de Pombal, designadamente o perímetro da sua zona histórica, foi transformada nos últimos meses num estaleiro de obras, para a realização das diversas obras inseridas nas Parcerias para a Regeneração Urbana (PRU), que vão proporcionar um ambiente mais citadino e moderno.

Parcerias que, para além do Município, envolve a Junta de Freguesia de Pombal, a Associação Comercial e de Serviços, a Fábrica da Igreja Paroquial e a Associação de Desenvolvimento de Iniciativas Locais.

Trata-se de um programa “ambicioso de remodelação urbana numa escala nunca vista no concelho de Pombal”, garante o Município, presidido pelo social-democrata Narciso Mota.

As obras, que ascendem a um total de mais de dez milhões de euros, são financiadas em 85 por cento por fundos comunitários, através do programa Mais Centro, surgido com o actual Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Segundo a autarquia, a regeneração urbana da cidade “é um processo de participação, nas acções, nos projectos e nos investimentos”, sendo também “um processo de responsabilidades, de colaboração activa e de valorização da economia urbana”.

A intervenção mais visível está a acontecer no Largo do Cardal, frente aos Paços do Concelho, mas as obras requalificaram toda a zona histórica alargando-se ao Largo de S. Sebastião onde foi construído um parque de estacionamento subterrâneo e edifício que irá acolher alguns serviços municipais.

Um equipamento que será inaugurado hoje, pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no âmbito da abertura solene das seculares Festas do Bodo.

O largo situado na articulação entre a Rua de Albergaria dos Doze e o Centro Histórico, “foi intervencionado no sentido de resolver questões do anterior desenho urbano, e o caos do estacionamento com a construção de um parque de estacionamento coberto e dar resposta a um conjunto de funções relacionadas com a actividade comercial e habitacional”, refere a autarquia.

Para além daquele largo, foram requalificadas algumas ruas envolventes, como é o caso da Travessa S. Sebastião, Rua Conde de Castelo Melhor e Rua do Castelo.

Já na Praça Marquês de Pombal, a intervenção contemplou a construção de um Centro de Negócios a fim de albergar os serviços de Finanças para além de uma possível incubadora de empresas. Uma obra orçada em mais de um milhão de euros e que resultou da recuperação de dois edifícios junto ao Museu Marquês de Pombal.

Porém, a obra base de todo o plano de acção que englobou a reestruturação da rede eléctrica com enterramento das cablagens, a reformulação das redes de saneamento e águas pluviais, a reformulação das redes de telecomunicações com enterramento das cablagens, o lançamento de rede de gás natural e uma reestruturação global dos pavimentos dando resposta às orientações da legislação sobre a mobilidade.

A área de intervenção esteve contida no perímetro composto pelo Largo do Cardal, Travessa do Cardal, Rua Capitão Tavares Dias, Rua Miguel Bombarda, Rua do Castelo e Largo 5 de Outubro.

O Largo do Cardal foi globalmente reestruturado de modo a garantir uma melhor adequação do seu desenho e das suas funções aos tempos actuais e será acompanhado pela colocação de novo equipamento urbano e sinalética.

“É essencial que a nossa cidade, na sua estrutura histórica, rejuvenesça com equipamentos e espaços públicos ajustados, modernos e activos, de grande rigor construtivo, duráveis e convidativos e onde a componente habitacional faça parte deste jogo urbano”, refere a autarquia presidida por Narciso Mota.

A autarquia realça, ainda, a importância daquelas intervenções urbanísticas, que ascendem a cerca de dez milhões de euros, para proporcionar uma “melhor qualidade de vida” e “redesenhar a cidade” tornando-a mais “citadina e urbana”.

Adiada fica a intervenção que iria dotar a cidade de novas passagens pedonais inferiores à linha ferroviária do Norte que atravessa o tecido urbano de Pombal.

O vereador da Regeneração Urbana, Michael Mota António refere que “a actual crise económica levou à suspensão do financiamento de projectos do QREN que ainda não tinham sido lançados a concurso, nos quais estas passagens pedonais se incluíam”.

“São intervenções importantes que esperamos poder ver avançar quando estiverem reunidas todas as condições para a sua concretização”, refere.

“A zona histórica há muito que exigia uma remodelação profunda”

Michael Mota AntonioO vereador da Regeneração Urbana, Michael Mota António, é peremptório quando afirma que “a zona histórica da cidade há muito que exigia uma remodelação profunda”. “Trata-se de uma zona que carecia de intervenção há já muitos anos, dada a existência de infra-estruturas muito antigas e já obsoletas”, frisa.

O autarca realça a importância da realização das obras de regeneração urbana na cidade com a necessidade de “substituição de equipamentos e das infra-estruturas de abastecimento de água, electricidade, gás natural, saneamento, águas pluviais, redes de telefone e internet”, até no “sentido de elevar a qualidade de vida nesta zona, por forma a evitar a contínua degradação urbana duma área nobre da cidade”.

Enaltecendo a oportunidade trazida pelo programa Mais Centro que, o Município “em bora hora” soube aproveitar, Michael António sente-se orgulhoso em ver a cidade a ser requalificada, com novas infra-estruturas e com uma “nova imagem que vem potenciar o desenvolvimento comercial e turístico do nosso centro histórico”. “Temos uma cidade mais atractiva, mais bonita e mais funcional”, realça.

Segundo o vereador, para além da “revolução urbanística” em curso, que “também era necessária”, os trabalhos “assentaram essencialmente na renovação das infra-estruturas”. Michael António sabe que “são obras que, apesar de necessárias, normalmente não têm visibilidade”, pelo que “é natural que as pessoas se foquem nos aspectos mais decorativos, sujeitos a críticas e ao gosto pessoal de cada um”.

No entanto, está convicto que os munícipes “vão entender que a necessidade de efectuar as obras criou também a oportunidade para implementar um conjunto de normas de arquitectura urbana que atendessem às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida e à forma como hoje se vive o espaço urbano”.

“Neste sentido tentámos harmonizar a convivência entre os diferentes intervenientes neste espaço por forma a evitar conflitos existentes, nomeadamente entre os peões e a circulação automóvel”, explica, adiantando que “a eliminação de barreiras arquitectónicas, como é o caso dos passeios existentes, de dimensão exígua, e os próprios pavimentos, irregulares e deveras degradados, vem forçosamente criar um novo desenho da cidade”.

Michael António está convicto que “a nova arquitectura, tirando casos pontuais de gostos pessoais que são absolutamente naturais, irá agradar à população em geral, já que é facilitadora da forma como circulam e vivem a cidade e o espaço urbano que é de todos”.

“Procurou-se reabilitar a cidade respeitando o passado”, afirma o vereador, acrescentando que, por isso, “tivemos o cuidado de, nesta intervenção, defender o nosso património histórico e a nossa memória colectiva, não só no desenvolvimento dos trabalhos arqueológicos e recuperação dos achados, mas também pelo restauro e reposição de algumas peças urbanas da nossa história recente”.

Em final de mandato autárquico, uma vez que não irá integrar a lista candidata pelo PSD às próximas eleições, e questionado se sente orgulho em apresentar uma cidade requalificada, Michael Mota António refere que “os pombalenses, apesar de todas as diferenças e opiniões que nos separam, têm um elemento comum que os une”, ou seja, “um grande orgulho na sua terra e uma grande paixão no seu desenvolvimento”.

“Podermos contribuir, de alguma forma, para o desenvolvimento de Pombal, é sempre motivo de orgulho para qualquer pombalense”, conclui.

Orlando Cardoso | Diário de Leiria

 

 

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6 Responses to Pombal alvo de “revolução urbanística” apresenta-se requalificado e moderno

  1. Jaime Roriz says:

    Vão tirar os carros do centro, ou seja, vãõ expulsar de lá as pessoas de maneira que um destes dias as pessoas já só vão mesmo ao intermarché que é onde há estacionamento.

  2. João Forte says:

    “Procurou-se reabilitar a cidade respeitando o passado” ?
    Desde quando é que isso aconteceu? Não só não se respeitou o passado, bem como se introduziu elementos estranhos à cidade, caso do granito. Será que as pedreiras da serra da Sicó já faliram?

    “tivemos o cuidado de, nesta intervenção, defender o nosso património histórico e a nossa memória colectiva, não só no desenvolvimento dos trabalhos arqueológicos e recuperação dos achados, mas também pelo restauro e reposição de algumas peças urbanas da nossa história recente”.
    Tiveram cuidado, de certeza?! Nota-se claramente que não e o infeliz resultado está à vista, seja a nível do património histórico, seja a nível de arqueologia.

  3. Dina Mendes says:

    O vereador refere que é “uma questão de gostos pessoais”, deve ter tido em consideração o gosto pessoal dele. A Zona Histórica, com a referida remodelação profunda, eu chamar-lhe-ia “o enterro da nossa zona Histórica”. As escadas que dão acesso ao Castelo e a construção “estranha” que está no inicio desse acesso é de lamentar. Este vereador deve andar com as ideias um bocado trocadas entre o Histórico e o Moderno. Será que não percebe que nem sempre as misturas resultam. Espero que não se lembre de revestir o convento com granito…por este andar, tudo é possível.

  4. Celmira Teixeira says:

    A praça está realmente muito bonita. Pombal merece um espaço assim…

  5. Dina Mendes says:

    Qual praça? Será que nas descobertas arqueológicas descobriram uma Praça de Touros? Por acaso só ouvi comentar as descobertas de esqueletos humanos, no Cardal.

  6. K0iZo says:

    Esse vereador Michael Mota António definitivamente anda a passar muitas noites na má vida, pois isso deve interferir gravemente com o seu bom senso.

    Onde é que alguma vez um homem com juízo aceita projectos de arquitectura vergonhosa, que não respeita minimamente a estética da cidade, e que acima de tudo não respeita as pessoas com mobilidade condicionada e mesmo a segurança das pessoas ditas normais com aqueles marcos pretos espalhados pelo Cardal e pela ponte reconstruída?

    E o resto do pessoal da câmara de pombal deve também estar embriagado com tantas indemnizações das inundações de 2006, subsídios do QREN entre outros fundos europeus, e agora com a indemnização que ganhou contra o BPI. Tudo para estoirar em obras que em nada contribuem directamente para o benefício da população e apenas para o PSD ganhar mais votos?

    Haja bom senso.

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