António Pires fala em falta de “princípios de respeito, de confiança, de educação no trato”
15/06/2014 1 Comentário
“Não quero participar em projectos, por mais qualidade que lhes reconheça, em cuja liderança não estejam também presentes princípios de respeito, de confiança, de educação no trato e de autonomia”, afirma o ex-vereador da Câmara de Pombal, António Pires da Silva, após ter renunciado ao seu mandato.
Em declarações ao nosso jornal, António Pires da Silva, que detinha os pelouros da Educação, Cultura e Juventude, justifica daquela forma a sua decisão, “embora alguns chamem sacrifícios aos atropelos grosseiros a estes valores e estejam dispostos a curvar-se e a fazer curvar”.
Na carta que enviou ao presidente da Câmara, Diogo Mateus, a comunicar a sua renúncia de mandato, o antigo director do Agrupamento de Escolas Marquês de Pombal, refere que “a par do enorme respeito pela função de vereador autárquico”, expressa “o prazer e o entusiasmo que depositei no desenvolvimento das diversas vertentes das minhas funções de vereador, muito consciente da exigência, da responsabilidade e dos valores a que me obrigo nos projectos em que me envolvo”. “Assim, foi muito difícil tomar esta decisão, que fundamento, exclusivamente, em motivos de cariz pessoal”, acrescenta.
No mesmo documento, a que o nosso jornal teve acesso, o ex-vereador começa por afirmar que foi para si uma “honra ter recebido” da parte do presidente da autarquia, “a quem reconheço genuínas qualidades de visão estratégica e rigor, um convite pessoal para integrar a lista candidata ao elenco camarário e colaborar num programa de acção que é prossecutor do desenvolvimento equilibrado do concelho de Pombal” e deseja “as maiores felicidades na concretização do referido programa”.
Por outro lado, reconhece a “colaboração dos senhores presidentes das juntas de freguesia do concelho de Pombal, que sempre se empenharam na resolução dos problemas que foram surgindo, em reciprocidade com a Câmara Municipal de Pombal”, como também “a competência, a dedicação e a vontade de colaborar dos funcionários afectos aos pelouros que me foram confiados.”

A este respeito parece-me que, tanto o Senhor Vereador como o Município devem um esclarecimento público aos munícipes:
O mais rápido possível, claro, verdadeiro e com a máxima divulgação – de forma a chegar ao maior número possível – sobre os verdadeiros motivos que o levaram a abandonar o cargo em tão curto espaço de tempo, após a sua eleição.
Se isto não acontecer, ambos prestam um mau serviço à Democracia e constituem-se, de forma grave, partes activas no lamentável processo de descredibilização da Política e dos Políticos, no consequente afastamento e revolta dos cidadãos – que se sentirão enganados – enfim na destruição do Estado de Direito Democrático.